Corolário das agruras, venturas e desventuras de quem se aventurou a iniciar uma carreira artística em Portugal. Trago Fado Nos Sentidos é o diário de bordo de quem ama música, o teatro e as artes e acima de tudo quer ser feliz.

Música

Visitas

16.6.09

Fotos II





15.6.09

Fotos





28.5.09

Olhar

Mergulhar no teu olhar,
No teu amor profundo, intenso, eterno,
Ardente aroma que exala do teu respirar,
De coração sereno

O sabor tão doce do teu beijo
Onde arde todo o meu desejo

Ao me perder no teu olhar,
Com a alma entrego
Todo o meu ser, sem sequer hesitar
Nesse ensejo de ser um contigo


8.5.09

Meu Fado Antigo (ao vivo no Convento do Beato)

4.5.09

Entre Sombras

Entre Sombras (Antero de Quental)

Vem às vezes sentar-se ao pé de mim
-A noite desce, desfolhando as rosas-
Vem ter comigo, às horas duvidosas,
Uma visão, com asas de cetim

Pousa de leve a delicada mão
-Rescende aroma a noite sossegada-
Pousa a mão compassiva e perfumada
Sobre o meu dolorido coração...

E diz-me essa visão compadecida
-Há suspiros no espaço vaporoso-
Diz-me: Porque é que choras silencioso?
Porque é tão erma e triste a tua vida?

Vem comigo! Embalado nos meus braços
-Na noite funda há um silêncio santo
Num sonho feito só de luz e encanto
Transporás a dormir esses espaços

Porque eu habito a região distante
-A noite exala uma doçura infinda-
Onde ainda se crê e se ama ainda,
Onde uma aurora igual brilha constante...

Habito ali, e tu virás comigo
-Palpita a noite num clarão que ofusca-
Porque eu venho de longe, em tua busca,
Trazer-te paz e alívio, pobre amigo...

Assim me fala essa visão nocturna
-No vago espaço há vozes dolorosas-
São as suas palavras carinhosas
Água correndo em cristalina urna...

Mas eu escuto-a imóvel, sonolento
-A noite verte um desconsolo imenso-
Sinto nos membros como um chumbo denso,
E mudo e tenebroso o pensamento...

Fito-a, num pasmo doloroso absorto
-A noite é erma como campa enorme-
Fito-a com olhos turvos de quem dormer
E respondo: Bem sabes que estou morto!

3.5.09

Três Vezes Louco

Três Vezes Louco (The Triple Fool) John Donne (tradução de Helena Barbas)

Sou duas vezes louco, eu sei,
Por amar, e por dizê-lo
em plangente poesia.
Mas onde está esse sábio, que eu seria
Se ela não se negasse?
Como as ruínas e estreitas sendas íntimas da terra
Se purgam, expulsando o nocivo sal da água marinha,
Pensei então que, se pudesse drenar as minhas dores,
Através do vexame das rimas eu as amansaria:
A mágoa vertida em números não pode ser tão feroz
Porque a domina aquele que a acorrenta em verso.

Mas quando o consegui,
Um sujeito, para mostrar a sua arte e voz,
Pôs em música e cantou a minha dor.
E, deliciando muitos, de novo libertou
A mágoa que o verso reprimira.
Ao amor e à mágoa pertence o tributo do verso,
Mas não daquele que agrada quando é lido:
Ambos se acrescentam com tais canções,
Porque os seus triunfos assim se publicitam
E eu, duas vezes louco, deste modo me triplico:
Od pouco sábios, supinos se revelam.


1.5.09

Tortura

Tortura (Florbela Espanca)

Tirar dentro do peito a Emoção
A lúcida verdade, o Sentimento!
-E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu diluo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte,. estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

30.4.09

Vaidade

Vaidade (Florbela Espanca)

Sonho que sou Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo o que sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

24.2.09

Bom-Dia

Nos próximos dias vou publicar aqui uma série de poemas que estou a considerar para um próximo trabalho e gostaria muito de poder contar com as vossas opiniões. Obrigado

Bom-Dia (The Good-Morrow) John Donne (tradução de Helena Barbas)

Espanta-me, em verdade, o que fizemos, tu e eu
Até nos amarmos? Não estariamos ainda criados,
E, infantilmente, sorvíamos rústicos prazeres?
Ou ressonávamos na cova dos Sete Santos Adormecidos?
Assim era. Salvo este, todos os prazeres são fantasia.
Se alguma vez beleza eu de facto vi,
desejei e obtive, não foi se não um sonho de ti

E agora, bom dia às nossas almas que acordam,
E que, por medo, uma à outra se não contemplam;
Porque Amor todo o amor de outras visões influencia
E transforma um pequeno quarto numa imensidão.
Deixa que os descobridores partam para novos mundos,
E que aos outros os mapa-mundos sobre mundos mostrem.
Tenhamos nós um só, porque cada um possui, e é um mundo.

A minha face nos teus olhos, e a tua nos meus, aparecem,
Que os corações veros e simples nas faces se desenham;
Onde poderemos encontrar dois melhores hemisférios,
Sem o agudo Norte, nem o declinado Oeste?
Só morre o que não foi proporcionalmente misturado,
E se nossos dois amores são um, ou tu e eu nos amamos
Tão igualmente que nenhum abranda, nenhum pode morrer

9.2.09

Não me Chamem Pelo Nome (ao vivo no Convento do Beato)