Corolário das agruras, venturas e desventuras de quem se aventurou a iniciar uma carreira artística em Portugal. Trago Fado Nos Sentidos é o diário de bordo de quem ama música, o teatro e as artes e acima de tudo quer ser feliz.

Visitas

27.7.11

Solidão Acompanhada

A espera vã de em minh’alma te ter
Faz esmorecer o mais profundo do meu ser
Não te sinto, mesmo quando ao meu lado
Mas resisto como o mais leal soldado

Passam dias, meses, anos sem termo
E a demora de em mim te ter
Dilacera-me pouco a pouco sem se deter
Conduzindo-me sem dó a este ermo

Se contigo a dor com ferro em brasa me marca
Sem ti não saberia viver, não saberia existir
Pois minh’alma sem a tua luz definha, torna-se opaca

20.9.10

Yolanda Soares - Metamorphosis ao vivo nos Coliseus de Lisboa e Porto

Deixo aqui uma sugestão a todos quantos apreciam boa música: Yolanda Soares - Metamorphosis, ao vivo nos Coliseus de Lisboa e Porto. Coliseu de Lisboa a 5/10 e Coliseu do Porto a 8/10. Um espectáculo a não perder. Bilhetes à venda nos locais habituais.


18.4.10

28.5.09

Olhar

Mergulhar no teu olhar,
No teu amor profundo, intenso, eterno,
Ardente aroma que exala do teu respirar,
De coração sereno

O sabor tão doce do teu beijo
Onde arde todo o meu desejo

Ao me perder no teu olhar,
Com a alma entrego
Todo o meu ser, sem sequer hesitar
Nesse ensejo de ser um contigo


4.5.09

Entre Sombras

Entre Sombras (Antero de Quental)

Vem às vezes sentar-se ao pé de mim
-A noite desce, desfolhando as rosas-
Vem ter comigo, às horas duvidosas,
Uma visão, com asas de cetim

Pousa de leve a delicada mão
-Rescende aroma a noite sossegada-
Pousa a mão compassiva e perfumada
Sobre o meu dolorido coração...

E diz-me essa visão compadecida
-Há suspiros no espaço vaporoso-
Diz-me: Porque é que choras silencioso?
Porque é tão erma e triste a tua vida?

Vem comigo! Embalado nos meus braços
-Na noite funda há um silêncio santo
Num sonho feito só de luz e encanto
Transporás a dormir esses espaços

Porque eu habito a região distante
-A noite exala uma doçura infinda-
Onde ainda se crê e se ama ainda,
Onde uma aurora igual brilha constante...

Habito ali, e tu virás comigo
-Palpita a noite num clarão que ofusca-
Porque eu venho de longe, em tua busca,
Trazer-te paz e alívio, pobre amigo...

Assim me fala essa visão nocturna
-No vago espaço há vozes dolorosas-
São as suas palavras carinhosas
Água correndo em cristalina urna...

Mas eu escuto-a imóvel, sonolento
-A noite verte um desconsolo imenso-
Sinto nos membros como um chumbo denso,
E mudo e tenebroso o pensamento...

Fito-a, num pasmo doloroso absorto
-A noite é erma como campa enorme-
Fito-a com olhos turvos de quem dormer
E respondo: Bem sabes que estou morto!

3.5.09

Três Vezes Louco

Três Vezes Louco (The Triple Fool) John Donne (tradução de Helena Barbas)

Sou duas vezes louco, eu sei,
Por amar, e por dizê-lo
em plangente poesia.
Mas onde está esse sábio, que eu seria
Se ela não se negasse?
Como as ruínas e estreitas sendas íntimas da terra
Se purgam, expulsando o nocivo sal da água marinha,
Pensei então que, se pudesse drenar as minhas dores,
Através do vexame das rimas eu as amansaria:
A mágoa vertida em números não pode ser tão feroz
Porque a domina aquele que a acorrenta em verso.

Mas quando o consegui,
Um sujeito, para mostrar a sua arte e voz,
Pôs em música e cantou a minha dor.
E, deliciando muitos, de novo libertou
A mágoa que o verso reprimira.
Ao amor e à mágoa pertence o tributo do verso,
Mas não daquele que agrada quando é lido:
Ambos se acrescentam com tais canções,
Porque os seus triunfos assim se publicitam
E eu, duas vezes louco, deste modo me triplico:
Od pouco sábios, supinos se revelam.


1.5.09

Tortura

Tortura (Florbela Espanca)

Tirar dentro do peito a Emoção
A lúcida verdade, o Sentimento!
-E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu diluo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte,. estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

30.4.09

Vaidade

Vaidade (Florbela Espanca)

Sonho que sou Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo o que sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...